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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Compartilhando (por Nanda Café)

Outro dia fiz uma constatação no Facebook que exemplificou bem a relação esperada entre pais, mães e crianças. Eu disse: “Teste rápido para identificar um #paideinstagram*: pergunte a ele quantas vezes ele cortou as unhas da criança.”

Todas as minhas amigas mães-solteiras curtiram. Algumas casadas comentaram: “Ah, isso ele não faz porque tem medo, mas é um super-pai.” Lembrei de um namorado que me dizia “Quando tivermos filhos, faço tudo, menos trocar fralda.” Gente. Como assim? Eu também tinha medo de cortar as unhas do meu filho quando ele era recém-nascido e como ele não anda sendo confundido com a cria do Zé do Caixão por aí, percebe-se que eu perdi esse medo.

Mas eu tinha essa escolha?

Recentemente comecei a praticar a guarda compartilhada do meu filho de 4 anos de idade. Inicialmente a ideia seria alternar as quinzenas, depois as semanas, e finalmente definimos uma rotina diária, intercalando sempre os fins de semana. Nos fins-de-semana do meu filho com o pai, eu chego a ficar 5 dias direto sem vê-lo.

E quer saber? Não sinto culpa.

Quis sentir quando ele começou a se recusar a ir pra casa do pai. A dizer que estava ficando muito tempo com ele. A perguntar por que eu o deixava lá por tanto tempo, como se eu o estivesse abandonando contra a sua vontade. Seria justo? Seria egoísmo meu? Por que tantas mães conseguem cuidar até de mais de uma criança sozinhas, e eu estava achando minha rotina tão complicada e exaustiva?

Então, conversando com ele sobre isso, me veio uma nova perspectiva. Eu não estou dividindo somente as responsabilidades. Meu filho é minha maior alegria. Ele me faz sorrir ao acordar do meu lado e quando vem correndo pra mim na porta da escola. Eu conheço suas roupas favoritas e sei quais os personagens da semana. Sei que tipo de história ele gosta de contar, e entendo como funciona sua mente.

Seu pai o ama como eu. Ele também merece compartilhar dessas pequenas alegrias do dia-a-dia, que sim, vem acompanhadas de estresse. Mas é tanto amor que não é justo ser só meu. Não fui só eu quem fiz. E não é só meu. Fazer guarda compartilhada é dividir dores e delícias. Mesmo que o menino continue voltando de unha grande.

Nanda Café
26 anos, jornalista, blogueira, feminista, nerd e pac-mãe do Benjamin, que do alto dos seus 4 anos já ensinou mais pra mãe do que 20 anos de ensino formal. Gosta de pensar que no mundo de Tolkien seria uma elfa, mas no fundo sabe que é mesmo uma hobbit. Já seu filho é apenas um troll.


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Um comentário:

  1. HAHAHAH
    adorei isso "pai-instagram"
    Quem faz, faz, quem não faz dá desculpa.
    beijos
    Lele
    www.eueleeascriancas.com.br

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